A indagação sobre o homem e suas capacidades podem ser tomadas como ponto de partida não só para o entendimento do Homem, do ponto de vista filosófico, mas também como ser capaz de produzir seu mundo. A primeira indagação norteia a antropologia filosófica e a segunda pode ser colocada como base para a compreensão da cultura. O Homem, para a antropologia possui características e dimensões que podem ser vistas separadamente e não é pura e simplesmente um amontoado de partes. Quando falamos do homem temos que referi-lo a uma entidade genérica que só se concretiza nos homens concretos, estes são diversos na sua essência e  se agrupam formando sociedades por afinidades, evidenciando a sua grande diversidade humana. Portanto, antropologia não atende apenas a composição da sociedade, ela é o estudo de tudo que compõe uma sociedade humana com o seu todo diverso histórico e geográfico. O qual engloba o ser homem que se descobre pelo questionamento sobre si mesmo.

Inicialmente presente em Heráclito, o homem ao investigar o que pode vir a ser ele mesmo, abre assim, o caminho da introspecção filosófica para perceber o contexto da sua existência, e se põe a medida de todas as coisas. Essa busca por se entender por meio de suas sucessivas introspecções e até pela procura de um sentido, uma razão e um propósito para a sua existência o conduzem para os seus inúmeros ensaios sobre si mesmo.

As várias interpretações sobre si mesmo remetem o homem a figuras míticas com simbologias que transcendem a sua condição física, capaz de assumir até verdadeiras entidades metafóricas.
As transformações do pensamento do homem ao longo dos séculos demonstram o que mais o intriga quanto a sua existência, que é o saber por que existe e a sua relação com a vida, a busca por uma verdade que ao mesmo tempo o defina começa de diversas maneiras, como na antiguidade, onde o homem centrava-se em torno do “cosmos” ou da natureza em si estática e encarava o homem em conexão com ela, na idade Média, o homem era membro da “ordem” emanada de Deus, na Idade Moderna, firma o homem sobre si mesmo, mas predominantemente como “sujeito” ou razão, de sorte que esta, como sujeito transcendental ou razão universal panteísticamente absoluta, acabando por subjugar e volatilizar o homem, convertendo-o em momento fugaz do curso evolutivo do absoluto e no Pensamento contemporâneo, o homem tomou consciência da inanidade de tais construções e verificou haver perdido tudo, incluindo a própria personalidade e que principalmente, depois de haver sacrificado a vida do conceito abstrato ilusório, se encontrava agora perante o nada.

Inicialmente o Homem toma consciência de si e do fato de estar no mundo.
Consequentemente se percebe completamente diferente dos demais existentes; passa, então a dar sentido à existência dos existentes. Dá sentido porque pensa, porque se socializa e porque manipula os elementos da realidade; gera cultura e transcende à realidade humana. Podemos dizer que praticamente todas as correntes de filosofia procuram dar uma explicação para esta realidade à que se chama Homem. Dessas explicações um ponto parece ser comum e sobre o qual as vozes se fazem unânimes: o fato do homem ser pensante e a partir disso ser capaz de manipular o mundo em que se insere. Podemos dizer que essas são características eminentemente humanas ou distintivas do Homem.

O homem ser complexo em constante evolução é imutável na sua forma e mutável no seu saber e na sua capacidade em se perceber. Uma essência em constante transformação, munido de vontades, desejos e capacidades de querer ou não querer. Portanto, quanto mais tentamos definir o homem sempre amanhã o conceito se transformará em preconceito. Entretanto homem é visto, na atual Antropologia Filosófica, como um ser biológico, psicológico, espiritual e transcendente. Cuja, as regiões constitutivas do homem, são três: a vital, a psicológica e a espiritual. Essas por sua vez, não podem ser pensadas separadamente, pois não seria humano o homem sem corpo, sem interioridade e sem dimensão espiritual – afinal, todas essas dimensões são parte do ser homem.