O que define uma pessoa não é a sua sexualidade, pois, se fosse assim, seríamos homens quando estivéssemos com mulheres. Seríamos mulheres quando estivéssemos com homens e seríamos gays quando estivéssemos com alguém do mesmo sexo. Mas e se não estivéssemos ligados a ninguém sexualmente, então, seríamos NADA! Portanto, não é o sexo que define uma pessoa, somos almas, andróginas vivendo uma experiência sexual. Quem ainda não percebeu isto, navega na ignorância da discriminação e da falta de sabedoria. Não sente e nem faz parte do Universo, diverso, divino.
Deus é neutro, menina e menino, é o TODO que se manifesta em tudo que existe.
Cada pessoa está no seu processo e deve ser aceita pela sua diferença. Tudo deve ser amado e respeitado, só assim se alcança a LUZ!
Valores com os quais alguém se identifica, suas doutrinas, religiões, partidos, times ou toda ou qualquer manifestação grupal ou individual, representam afinidades e, ao mesmo tempo, verdades distintas, mas não representam uma verdade absoluta.

Ninguém possui um documento assinado por Jesus ou por Deus para se intitular como seus legais representantes nesse planeta e, com isso, terem o direito de impor suas verdades como sendo as do próprio Deus, ao qual blasfemam, pelo simples fato de usarem o seu nome em vão e de se julgarem seus portas-vozes.
A ética dos valores humanos diz claramente que temos que respeitar as ideologias e crenças de cada pessoa, pois constituem suas verdades e ao criticarmos ou julgarmos como sendo incorretas, estamos gerando discriminação, rejeição, contribuindo para o desenvolvimento de complexos de inferioridade e baixa autoestima. Nenhum ser que gera desequilíbrio no outro, ao torná-lo ou instituí-lo como inferior, pode ser considerado como uma pessoa ética e discípula de uma verdade divina.
Se somos todos filhos de Deus, temos que pensar que nenhum pai pode rejeitar seu filho. Seja como for, não nos cabe querer que os outros sejam como idealizamos ser correto, para não criarmos a discriminação.
Todo ser humano é livre para escolher e responsável pelos seus resultados, ou seja, cabe a pessoa saber avaliar o que melhor lhe serve. Não podemos querer de forma ditatorial impor uma verdade, tentar esconder ou reprimir a natureza de uma pessoa.
“A maior dor do amor é a discriminação por parte daqueles a quem se ama”.
Na proposição: o casamento é entre homens e mulheres, e o casamento é a união amorosa entre duas pessoas, que devem ficar unidas até que a morte os separe. Nessa premissa os gays, consequentemente, estão fora do contexto social heterossexual, pois não podem pertencer ao casamento e ao amor. E quanto às pessoas divorciadas, que se unem sem casar, mesmo sendo heterossexuais, como ficariam? Seriam logicamente todos discriminados, mas como expulsar algo que está dentro e pertence ao contexto social? Com essa afirmação lógica para os heterossexuais, fica ilógica para com eles mesmos e não lógica para a sociedade que engloba a todos, porque, sendo assim, nem os homossexuais e nem os heterossexuais podem pertencer à sociedade. Somente pertenceria a sociedade quem casar para sempre e for heterossexual.
Concluo que a lógica para uns constitui a sua verdade, portanto, não pode ser considerada como absoluta. A sociedade é formada por contradições, ou seja, ela é ilógica.
Todos somos livres para procurar e desenvolver o amor, procurar o seu prazer da forma que quiser e não cabe a ninguém reprimir a livre manifestação dos desejos e afinidades de quem quer que seja. Todos possuem a liberdade e não podemos instituir que ser gay é errado ou uma forma promiscua de manifestação, porque temos muitos promíscuos, pedófilos, bandidos, além de todas as guerras terem sido criadas pelos heterossexuais masculinos. Temos sim, que repreender quando algo é forçado sem o consentimento do outro. Por isso, quando uma pessoa escolhe e o outro aceita, estão livres para manifestar as suas afinidades por estarem de comum acordo, seja heterossexualmente ou homossexualmente.
Ao impor uma verdade e reprimir a liberdade de expressão do amor e das escolhas, estamos demonstrando falta de amor, respeito e espiritualidade. Esse tipo de padrão esteve presente durante muito tempo na constituição das famílias, as mulheres foram forçadas a se unirem sempre com a repressão do feminino. Com a liberdade de escolha feminina e da aquisição dos direitos de igualdade, muito do formato anterior do que achávamos que era família mudou, agora o processo é de igual para igual, ambos cúmplices, produtores, provedores e parceiros de uma proposta comum, sem a repressão de um em favor do outro, sem ter apenas um empenhado na ação da conquista e a outra dando o suporte de retaguarda, um tendo um destaque e a outra a sombra do outro.
Temos que agradecer em muito aos gays, até mesmo porque nos tornamos uma raça que está destruindo o planeta e graças a eles existe um controle natural de natalidade e como se não bastasse, ainda estão se colocando a disposição de criar, serem pais de crianças abandonadas pelos comportamentos dos heterossexualmente desequilibrados.
Os tempos mudaram , as famílias mudaram, as expressões mudaram, estamos experimentando uma liberdade maior e consequentemente, uma responsabilidade ainda maior pelas nossas escolhas. Agora não temos mais espaço para doutrinas, conceitos, ideologias e partidos que reprimam essa expansão. Agora o que cabe a cada um de nós é saber lidar com a nossa liberdade, respeitar a do outro e sermos muitos flexíveis para que não sejamos retrógrados no momento presente.
Existem condutas que estão acima de qualquer conotação sexual e que, de fato, deve ser banida da nossa sociedade que é a corrupção, guerras e a violências. Temos que nos preocupar com isso e não com os gays que trazem apenas alegria e nos acrescentam, em muito, com a sua criatividade inovadora.
Muito se aprendeu ou desaprendeu com a discriminação, muito se perdeu com as repressões e muito mal se criou com a escravidão de antes e que ainda persiste mascarada e subtendida na nossa sociedade dita neoliberal. Agora temos que aprender a amar e isso só será possível com a aceitação da diversidade.

Carlos Florêncio